Mensagem SEDJ
Livro Branco da Juventude
Mensagem Sr. Secretário de Estado do Desporto e Juventude

De há alguns anos a esta parte, os Jovens Portugueses têm vindo a ser objecto de uma profusa “catalogação”. Eis alguns exemplos paradigmáticos: “geração rasca”; “geração à rasca”; “geração do desenrasca”; “geração Sandwich”; “geração casinha dos pais”.
Há, manifestamente, um mínimo denominador comum nesta forma de qualificar as gerações Jovens: uma carga pejorativa, seja para os Jovens em si mesmo seja para o alegado enquadramento conjuntural ou estrutural em que os Jovens se inserem.
Raríssimas são as vezes em que a tónica é positiva. Recentemente só me recordo de duas situações: o ter-se apelidado a selecção de sub-20 de futebol como a “geração coragem” e o ter-se escolhido “geração com esperança” enquanto lema do último Encontro Nacional de Juventude.
Com o devido respeito, conotações negativas e mensagens derrotistas de nada servem. Pelo contrário: alimentam nos Jovens e em quem os rodeia um diagnóstico negro, um cenário de inevitabilidade, um défice de auto-estima, uma falta de crença na mudança. Como que se convida os jovens ao imobilismo e se os estimula à frustração, com inerentes comportamentos depressivos, senão mesmo desviantes.
Entendo ainda como grave e perigoso criar-se na esfera dos Jovens a convicção de que “tudo está mal” e de que há um “Nós” (Jovens) e um “Eles” (Governos), responsabilizando-se exclusivamente estes.
Não é essa “a onda” deste Governo. E a razão é simples: acreditamos na mudança, e estamos firmemente convictos de que os Jovens são causa e agentes decisivos dessa mudança.
O “Nós” inclui Jovens e Governos, em conjunto. Com a “liberdade” e a “certíssima esperança” a que alude Luiz Vaz de Camões, nos “Lusíadas”, na dedicatória que fez ao Rei D. Sebastião. Só aí devemos cultivar o “Sebastianismo”. De outro modo, enganamo-nos e perdemos todos: o Estado não pode ser o “Desejado”, o único, de quem tudo se espera.
Na verdade, é nos Jovens que mais encontramos irreverência, inconformismo, “sangue na guelra”, vontade, instinto, ousadia, imprevisibilidade.
É dos Jovens que mais se espera sonhos, criatividade, coragem, irreverência, capacidade de correr riscos, aversão à incerteza.
E é aos Jovens, em particular, que aqueles que já o foram devem transmitir experiências, princípios e valores, bem como estimular a persistência e a resiliência.
É evidente que também é inerente à condição de Jovens sentir-se revolta e exprimir-se indignação perante situações ou condições de vida adversas. Também por isso, para mais numa sociedade democrática como a nossa, é essencial garantir-se aos Jovens que se façam ouvir livremente. Mas espera-se que o façam de forma construtiva e consequente. Com vontade de falar, mas também de vencer, e, sobretudo, de conquistar. Com a ambição de fazer algo de significativo por Si e pelo futuro do Seu País. O mesmo se diga relativamente a todos os familiares dos Jovens e demais cidadãos sensíveis aos problemas e às necessidades da Juventude Portuguesa. Particular responsabilidade cabe ainda às pessoas individuais e colectivas cujo escopo de actuação seja zelar directa ou indirectamente pelos Jovens.
Face ao exposto, entendeu o Governo ser seu dever espoletar a elaboração de “Livro Branco para a Juventude”, de que a presente plataforma digital é uma ferramenta essencial. Aqui, com abertura, participação, responsabilidade, eficácia e coerência, todos, mas todos, poderão, deverão mesmo, ser agentes da mudança.
As linhas de orientação foram definidas em torno de mais de dez vectores de entre aqueles que consideramos os mais importantes para levar a cabo as Políticas de Juventude, primordialmente de forma holística, transversal. Por seu turno, o calendário está gizado de forma a conceder celeridade a esta iniciativa mas simultaneamente a garantir tempo útil para se maturarem os problemas e se apresentarem soluções.
Agradeço antecipadamente todos os contributos e estou certo de que esta iniciativa produzirá resultados concretos, efeitos práticos. Temos de fazer. Caso contrário, e citando Eduardo Lourenço, ficaremos todos, irremediavelmente, com “saudade do que não fizemos”.
Lisboa, 1 de Novembro de 2011
Alexandre Miguel Mestre
Secretário de Estado do Desporto e Juventude